terça-feira, 7 de agosto de 2007
EU VOU TROCAR DE PELE
A música da paraense Angela Carlos, Trocando de Pele, me remete à idéia de que vivemos o tempo dos grandes dramas, dos grandes espetáculos teatrais. Um tempo de subterfúgios e sofisma. Onde o que vale é a interpretação dos fatos e dos personagens. Onde o que sobressai é a capacidade de fingir ser o que não somos e a verdade pode custar caro. Pois temos a nosso favor não produzir provas contra nós mesmos. E quem tenta ser sincero é considerado otário ou ingênuo. Nesse cosmopalco, nesse universodramapastelão qualquer um que não consegue fazer performances espetaculares de si mesmo corre o mortal risco da exclusão social. As cortinas se fecham e as possibilidades de novos papeis tornam-se escassas. Baseado nisso, trocar de pele é uma questão de sobrevivência. Trocar de capa, de cara, de nome, de rumo. Tudo para poder chamar para si o foco de holofotes teleguiados por interesses muitas vezes escusos. Tudo se move a favor do cenário, quando entra em cena o ator que você é. Maquiado de você, que é o personagem principal do drama pessoal que você escreve todos os dias em forma de currículos ridículos e históricos estóricos. E nesta vida de imagens sobrepostas, você sobrepõe-se. E, depois, quando cai na real, vão juntas as máscaras e toda forma de enganar. Ou não!!!
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