
As últimas manhãs têm sido bastante floridas e ternas aqui no sudeste do Pará. A cidade de Parauapebas tem despertado sob o frescor de belas e encantadoras copas de flores que brotam dos ipês. De coloração rosa esmaecida, quase um púrpura desfeito, as árvores plantadas há algum tempo ao longo dos canteiros centrais da principal avenida, enfeitam a não mais tão pequena cidade com seu adorno belo e encantador. Díficil não perceber. Para cantar este clima diferente as cigarras. É um canto quase triste. Para uma população de forasteiros, deve arrancar pedaços de recordações e saudades de muitos peitos. O meu, imerso em solidão, quase grita nos fins de tarde de calma e mormaço que temos vivido. Mas chega a noite dissipando o calor e aumentando a dor que aperta a gente na gente mesmo e dormimos quase fatigados de tanta vontade de se incorporar ao ar, vento e brisa que envolvem a cidade no seu abraço de serra. Que se despetale o novo dia e mais outro e mais outro, até que passe esse momento e de novo os ipês, como a gente, não sejam tão flores e sejam mais duros. Que ninguém é de ferro.
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