terça-feira, 31 de julho de 2007
EU NÃO QUERIA, MAS NÃO RESISTI...
Quando começou esse negócio de internet eu relutei um pouco. Depois fui cedendo, cedendo, até que não resisti e me entreguei. Tinha uma máquina de escrever e gostava de redigir longas cartas para amigos que ficaram por onde passei. Genádio Miguel Bezerra de Carvalho era meu companheiro frequente de troca de notícias sobre nós mesmos. Até hoje não sei se foi o tempo, se foi a lonjura ou se foi a frieza dessas máquinas velozes e furiosas que nos deixaram distantes. Realidade é que nunca mais trocamos figurinhas. Agora fico inventando blogs onde escrevo as coisas que só eu leio. Fico criando coisas que não servem para nada. Talvez seja por conta dessa necessidade de me comunicar, de dizer para mim mesmo que podemos ser ouvidos, lidos e compreendidos. Me tornei radialista muito cedo e até hoje não ligo muito para o fato de que brigamos por audiencia, pois a mim basta dizer o que penso e me escutar em meu fonezinho de ouvido num mp4 última geração que a tecnologia me presenteou. Assim vou vivendo e com as mãos falando o que já não consigo dizer; e com a boca quase em silencio diante de ouvidos moucos. Assim ando com as mãos e descanso meus pés fatigados de não ter para onde ir. Criando endereços internéticos para morar numa idéia nova a cada dia nublado, a cada poesia sem nexo, a cada canção sem nota, a cada toada que se desversa em meus pensamentos plurais, singulares, toscamente ingenuos e sem pretenção de ser coisa alguma.
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