
Relógios me tiram de tempo. Os de pulso não gosto de usá-los. Parecem algemas me prendendo ás horas, aos minutos, aos segundos... Os de parede encurralam, endurecem convivencias em ambientes fechados. Relógios, melhor não te-los. Eles não marcam momentos, instantes. Essas coisas que a gente vive intensamamente, eles só atrapalham! Essas máquinas foram inventadas na tentativa de nos sbmeter ao que não passa. O tempo é eterno. Nós somos passageiros. O tempo é estanque. Nós somos movimento. O tempo é pacífico. O relógio é cruel. Quem passa somos nós. E o relógio existe para nos avisar que as horas avançam, que os compromissos estão vencendo, que as datas inspiram, que a velhice vem e que a morte é certa. Detesto relógios. Prefiro não saber que dia é hoje e nem que horas são. Queria não saber que já passei dos quarenta e que daqui a pouco começa o segundo tempo. Felizes dos jogadores de futebol. Eles não usam relógio. Já percebeu? Exatamente para não saber que já estamos na prorrogação e o jogo continua empatado.
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